O Papa Leão XIV
na catequese de hoje
Na catequese de hoje, o Papa Leão XIV comentou o quarto capítulo da Constituição Pastoral Gaudium et spes, que trata da missão da Igreja no mundo actual. Esta missão realiza-se principalmente pelo testemunho da fé e da caridade, no empenho pela justiça, paz e fraternidade.
Em primeiro lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está "acima" nem "ao lado" do mundo, mas sim enraizada nele: "a Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e partilhamos com este mundo a fragilidade e a beleza", explicou o Santo Padre.
Como se lê na Magnifica humanitas, a missão eclesial tem um alcance histórico e implica responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações sociais. Assim, a primeira tarefa é ajudar as pessoas a estarem atentas às questões profundas da vida, sobre a nossa origem e destino, bem como sobre o sentido do amor e da dor:
“A lógica do lucro custe o que custar e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.”
O desejo da Igreja, segundo expresso na Gaudium et spes, é "poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum". Para isso, está sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade, sem se deixar levar por modas culturais. "Com efeito, não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente", acrescentou o Santo Padre.
O convite final do Pontífice aos fiéis é para que nos tornemos dóceis à acção do Espírito Santo, "a fim de que [Ele] nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar".
LEÃO XIV - AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro, Quarta-feira, 7 de Outubro de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II
IV. Constituição pastoral Gaudium et spes
5. A missão da Igreja no mundo contemporâneo (GS, 40-45)
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Retomando a reflexão sobre a Constituição conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto capítulo da primeira parte, dedicado à missão da Igreja no mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está “acima” nem “ao lado” do mundo, mas como que inserida nele. «Mundus reconciliatus Ecclesia», escrevia Santo Agostinho (Sermão 96): a Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40).
Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, também a Igreja habita no mundo como sinal da encarnação de Deus para manifestar o seu desígnio de tornar todos nós seus filhos numa única e grande família humana. Por isso, a Igreja caminha na história, no meio dos povos e das culturas, e «esta interligação vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua missão tem um alcance histórico e implica responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações sociais» (Carta enc. Magnifica humanitas, 19).
A primeira missão da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas às profundas interrogações da vida: aquelas que dizem respeito à nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A lógica do lucro custe o que custar e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.
Os Padres do Concílio recordam que a missão da Igreja se realiza também na contribuição para a construção da cidade terrena. No entanto, os seus métodos e a sua finalidade não são primariamente de ordem política, mas consistem no testemunho da fé e da caridade, com o compromisso em prol da justiça, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente não pode aceitar a opressão dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condições de dependência e injustiça. A Doutrina social da Igreja orienta a acção dos cristãos, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promoção do bem comum. Portanto, a Igreja «nada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum» (GS, 42).
Para cumprir com eficácia a missão evangélica, é necessário que cada baptizado se comprometa em cooperar com a graça do Espírito Santo, a fim de que a sua fé seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separação entre fé professada e vida quotidiana «deve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo» (GS, 43).
A Gaudium et spes spes reserva uma menção especial (cf. ibid.) à missão dos fiéis leigos que, em virtude do Baptismo, são chamados a animar o mundo com o espírito cristão e a visão do Evangelho. Os principais lugares desta acção, que bem se pode dizer sacerdotal, são indubitavelmente a família e a actividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida.
Para concluir, a Igreja está sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). É tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos teólogos, discernir o que é digno de consideração nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como critério supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja. Isto requer um espírito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preservação e apresentação da mensagem evangélica na sua integralidade. Com efeito, «não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente» (Discurso à Plenária do Dicastério para a Evangelização — Secção para as questões fundamentais da evangelização no mundo, 28 de maio de 2026).
Caríssimos, enquanto se encontra a caminho na história, a Igreja tem como «único fim (...) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano» (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo através da santidade pessoal e do amor fraterno. São Paulo VI escrevia: «Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). Portanto, tornemo-nos dóceis à acção do Espírito Santo, a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar.
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano

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