Caminhar das cinzas para a luz pascal
Caminhada Diocesana da Quaresma à Páscoa - Abertura do coração
Neste primeiro domingo, a partir desta semana, redescubramos, o valor do jejum, como facilitador da oração e despertador do desejo de Deus, que nenhum alimento terreno pode saciar. Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua Palavra. Por outro lado, o jejum só encontra sentido quando nos reaproxima dos outros (a privação de bens destina-se à partilha dos bens com os outros) e relança as nossas competências relacionais (mais abertos a Deus e aos outros).
No início do caminho quaresmal, a liturgia convida-nos a repensar as nossas certezas, as nossas opções, os nossos valores. Tempo de conversão e de renovação, a Quaresma é o momento favorável para nos reaproximarmos de Deus. É em Deus – e não noutras propostas, por mais encantadoras que sejam – que está a fonte da vida verdadeira.
Na primeira leitura a catequese de Israel esboça, em grandes linhas, o projecto de Deus para o mundo e para os homens. Deus criou-nos para a felicidade e mostrou-nos como viver para alcançar a vida verdadeira. Contudo, enquanto seres livres, temos de ser nós a fazer a nossa opção fundamental. Se decidirmos abraçar as indicações de Deus, conheceremos uma felicidade sem limites e uma plena realização; mas, se optarmos por dar ouvidos à tentação do egoísmo, da auto-suficiência, da prepotência, da ganância, viveremos rodeados de coisas efémeras, vazias, que nunca saciarão plenamente a nossa sede de felicidade.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo coloca diante de nós dois exemplos, dois modelos de vida, dois homens: Adão e Jesus. Adão representa o homem que optou por ignorar as propostas de Deus e decidir, por ele próprio os caminhos que deveria percorrer para se realizar plenamente; Jesus é o homem que decidiu escutar as indicações de Deus, obedecer aos projectos de Deus, percorrer o caminho que Deus Lhe indicava, mesmo se esse caminho tivesse de passar pela cruz. A desobediência de Adão trouxe ao mundo egoísmo, sofrimento e morte; a obediência de Jesus tornou-se, para o mundo e para todos os homens, uma fonte inesgotável e amor, de graça e de vida.
No Evangelho, o Evangelista Mateus propõe-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Ele recusou sempre as propostas e os valores que punham em causa o projecto de Deus para o mundo e para os homens. Para Jesus, os valores de Deus tiveram sempre primazia sobre os bens materiais, a embriaguez oferecida pelo êxito fácil, a sede de poder. Aos seus discípulos Jesus pede que sigam um caminho semelhante.
Comentário à liturgia do 1º Domingo da Quaresma - Ano A, pelo Padre Manuel Barbosa, scj:
LEITURA I – Génesis 2,7-9;3,1-7
Leitura do Livro do Génesis
O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: “Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do Jardim”?»
A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: “Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis”».
A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal».
A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu o fruto e comeu-o; depois deu-o ao marido, que estava junto dela, e ele também comeu. Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.
SALMO RESPONSORIAL – SALMO 50 (51)
Refrão: Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas.
Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos.
Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor.
LEITURA II – Romanos 5,12-19
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só pereceram muitos, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a muitos homens. E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação. Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. De facto, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos.
ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Mateus 4,4b
Refrão: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.
Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
EVANGELHO – Mateus 4,1-11
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio.
Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.
O tentador aproximou se e disse lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães».
Jesus respondeu lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’».
Então o Demónio conduziu O à cidade santa, levou O ao pináculo do templo e disse Lhe: «Se és Filho de Deus, lança Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’».
Respondeu lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’».
De novo o Demónio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares».
Respondeu lhe Jesus: «Vai te, Satanás, porque esta escrito: ‘Adoraras o Senhor teu Deus e só a Ele prestaras culto’».
Então o Demónio deixou-O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.
Avisos à Comunidade Paroquial:
Direitos Paroquiais
Este fim-de-semana o Conselho Económico iniciou a recolha dos Direitos Paroquiais/Contributo Paroquial. Trata-se da forma de sustento do nosso pároco, agradecendo desde já a generosidade de todos os paroquianos.
Jantar do Cozido
No próximo Sábado, dia 28 de Fevereiro, vai realizar-se o já tradicional Jantar do Cozido à Portuguesa. Este jantar destina-se a angariar fundos para suportar as despesas com a Procissão dos Passos. Quem quiser participar pode marcar o seu lugar com as Zeladoras ou com os membros do Conselho Económico.
Primeira Semana da Quaresma
Perguntas para reflexão e exame de consciência:
- O que devo fazer nesta Quaresma para que os meus sentidos estejam alerta?
- O que ocupa hoje o meu coração?
- O que me impede de escolher Deus como essencial?
- Que tentações tenho na minha vida?
- O que deixei entrar no meu coração?
Celebrações Eucarísticas
Domingo dia 22Fev, às 09H30, Eucaristia do I Domingo da Quaresma - Ano A
Quarta-feira dia 25Fev, às 19H00, Eucaristia
Sábado dia 28Fev, às 17H00, Eucaristia Vespertina
Domingo dia 1Mar, às 09H30, Eucaristia do II Domingo da Quaresma - Ano A
Fontes: Dehonianos; Agência Ecclesia; Diocese do Porto

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