Apaixonados pela Cruz de Cristo
Caminhada Diocesana da Quaresma à Páscoa - Abertura do olfacto.
Seis dias antes da Páscoa, “Maria de Betânia unge o Senhor com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço. A casa encheu-se com a fragrância do perfume” (Jo 12,3) e o gesto é prenúncio do perfume para o dia da sepultura (Jo 12,7). Segundo o Quarto Evangelho, Cristo começa e acaba a história da sua Paixão e é sepultado num jardim, envolto em panos de linha com os perfumes (Jo 19,40). Na manhã de Páscoa, as mulheres vão ao sepulcro com perfumes (Mc 16,1; Lc 24,1), mas encontram a vida nova. O olfacto, pelo qual se cheira a Páscoa, evoca assim a presença invisível e a memória do amor. «Somos o bom odor de Cristo» (2 Cor 2,15), chamados a exalar o perfume da Páscoa do Senhor. O que nos deve entrar pelas narinas é esta boa nova: Cristo ressuscitou dos mortos.
A liturgia deste último domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste "servo" a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus - esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
Comentário à liturgia do Domingo de Ramos - Ano A, pelo Padre Manuel Barbosa, scj:
LEITURA I – Isaías 50,4-7
Leitura do Livro de Isaías
O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam, e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 21 (22)
Refrão: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?
Todos os que me vêem escarnecem de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça: «Confiou no Senhor, Ele que o livre, Ele que o salve, se é seu amigo».
Matilhas de cães me rodearam, cercou-me um bando de malfeitores. Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos.
Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica. Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos, hei-de louvar-Vos no meio da assembleia. Vós, que temeis o Senhor, louvai-O, glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob, reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.
LEITURA II – Filipenses 2,6-11
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Filip 2,8-9
Refrão: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.
Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.
EVANGELHO – Mateus 26,14 - 27,66
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Forma breve
Naquele tempo,
Jesus foi levado à presença do governador, que lhe perguntou: «Tu és o Rei dos judeus?»
Jesus respondeu: «É como dizes».
Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?»
Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado.
Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes: «Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?»
Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer: «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d'Ele».
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.
O governador tomou a palavra e perguntou-lhes: «Qual dos dois quereis que vos solte?»
Eles responderam: «Barrabás».
Disse-lhes Pilatos: «E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?»
Responderam todos: «Seja crucificado».
Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?»
Mas eles gritavam cada vez mais: «Seja crucificado».
Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?»
Mas eles gritavam cada vez mais: «Seja crucificado».
Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».
E todo o povo respondeu: «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».
Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh'O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d'Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n'O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d'Ele, escarneciam-n'O, dizendo: «Salve, rei dos judeus!»
Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n'O para ser crucificado.
Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l'O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos judeus».
Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n'O e abanavam a cabeça, dizendo: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; Se és Filho de Deus, desce da cruz».
Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d'Ele, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n'Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: 'Eu sou Filho de Deus'».
Até os salteadores crucificados com Ele o insultavam.
Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eli, Eli, lema sabachtani!», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: «Está a chamar por Elias».
Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l'O».
E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram: «Este era verdadeiramente Filho de Deus».
Avisos à Comunidade Paroquial:
Quinta Semana da Quaresma
Perguntas para reflexão e exame de consciência semanal:
-
Que rasto deixo na vida dos outros?
- Exalo o perfume da Páscoa
ou outro qualquer?
- Como vou viver esta Semana Santa?
Celebrações Eucarísticas
Domingo dia 29Mar, às 09H15, Eucaristia do Domingo de Ramos - Ano A – Início, junto ao cruzeiro da Quinta do Anjo, com a cerimónia da Bênção dos Ramos.
Quinta-feira dia 2Abr, às 21H00 – Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com o rito do Lava-pés.
Sexta-feira dia 3Abr, às 21H00 – Celebração da Paixão do Senhor
Sábado dia 4Abr, às 21H00 – Vigília Pascal
Domingo dia 5Abr, às 08H00, Eucaristia do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – No final da Eucaristia, Visita Pascal.
Fontes: Dehonianos; Agência Ecclesia

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