Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

sábado, 7 de março de 2026

III DOMINGO DA QUARESMA - Ano A

 




Visitar a Fonte, a Água, a Vida!

   


Caminhada Diocesana da Quaresma à Páscoa - Abre o teu paladar: saboreia!

O sentido a activar e abrir esta semana é o do gosto ou paladar. Aqui o paladar simboliza a experiência saboreada, oposta à pressa e à superficialidade. Nesta semana, podíamos desenvolver o sentido do gosto ou paladar, a partir do Evangelho, onde a água e o pão, a sede e a fome, a bebida e o alimento («os discípulos foram comprar pão»; «Mestre, come»; «eu tenho outro alimento») são focados de maneira explícita na 1.ª leitura e no Evangelho. O paladar simboliza o desejo e a intimidade. É preciso aprender a saborear e não apenas a sentir. “Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, nas sim sentir e saborear internamente todas as coisas” (Santo Inácio de Loyola).


Estamos no terceiro domingo da Quaresma. Não é fácil nem isento de obstáculos o caminho que, através do deserto quaresmal, nos leva em direção à vida nova. Conseguiremos superar os obstáculos deste caminho de conversão e de renovação? A Palavra de Deus que escutamos no terceiro domingo da Quaresma deixa-nos uma indicação verdadeiramente reconfortante: Deus acompanhar-nos-á em cada passo e nunca deixará de saciar a nossa sede de vida.

A primeira leitura relembra-nos um dos momentos determinantes da caminhada dos hebreus pelo deserto, após a libertação do Egipto: o povo, apoquentado pela sede e afundado em dúvidas, questiona o desígnio de Deus e pergunta-se se Deus pretende salvá-lo ou perdê-lo. A esta bizarra dúvida Deus responde com um gesto extraordinário: faz brotar água de um rochedo e sacia a sede do seu povo. Não se trata de um caso isolado: o Deus salvador e libertador esteve, está e estará sempre empenhado em saciar a sede de vida do seu povo enquanto este atravessa o deserto da história.

No Evangelho Jesus, em diálogo com uma mulher da Samaria, junto do poço de Jacob, propõe-se oferecer-lhe uma “água viva” que matará todas as sedes e que se tornará “uma nascente que jorra para a vida eterna”. A samaritana mostra-se disponível para acolher e beber a água que Jesus tem para lhe oferecer. Estaremos, também nós, dispostos a saciar a nossa sede com a água que Jesus nos quer oferecer?

A segunda leitura não evoca o tema da água, como a primeira leitura e o Evangelho; mas reafirma o empenho de Deus em oferecer vida e salvação ao seu povo. Garante-nos que, sejam quais forem as nossas falhas e infidelidades, Deus “justifica-nos”. A sua misericórdia falará sempre mais alto do que o nosso pecado. Deus oferecer-nos-á sempre, de forma gratuita e incondicional, a sua salvação.


Comentário à liturgia do 3º Domingo da Quaresma - Ano A, pelo Padre Manuel Barbosa, scj:


LEITURA I – Êxodo 17,3-7

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?»

Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem».

O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o rio e põe-te a caminho. Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber».

Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»


SALMO RESPONSORIAL – SALMO 94 (95)

Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos a Deus nosso salvador. Vamos à sua presença e dêmos graças, ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. Pois Ele é o nosso Deus e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz: «Não endureçais os vossos corações, como em Meriba, como no dia de Massa no deserto, onde vossos pais Me tentaram e provocaram, apesar de terem visto as minhas obras».


LEITURA II – Romanos 5,1-2.5-8

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos:

Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.


ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – cf. João 4,42.15

Refrão: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

Senhor, Vós sois o Salvador do mundo: dai-nos a água viva, para não termos sede.


EVANGELHO – João 4,5-42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou Se à beira do poço. Era por volta do meio dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse lhe Jesus: «Dá Me de beber».

Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?»

De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».

Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos a os seus rebanhos?»

Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar se á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».

«Senhor, suplicou a mulher dá me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la».

Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui».

Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido».

Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade».

Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar».

Disse lhe Jesus: «Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito a verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade».

Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier há de anunciar nos todas as coisas».

Respondeu lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo».

Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?», ou então: «Porque falas com ela?»

A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?»

Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come».

Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis».

Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?»

Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu «mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».

Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz».

Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».


Avisos à Comunidade Paroquial:

Recorda-se que os Ofertórios das Eucaristias do próximo fim-de-semana revertem para as despesas com a Procissão dos Passos a realizar no dia 22 de Março.


Boletim Vicarial

No final das Eucaristias deste fim-de-semana é distribuído o Boletim Vicarial de Fevereiro de 2026.

No Boletim, pode consultar as datas, horas e locais das Confissões nas paróquias da nossa vigararia. Nossa paróquia será na Sexta-feira, 20 de Março, das 17 às 19 horas. Procuremos, pelo menos uma vez por ano, na altura da Páscoa, o Sacramento da Reconciliação.


Terceira Semana da Quaresma

Perguntas para reflexão e exame de consciência semanal:

- De que se alimenta a minha alma?

- Que palavras saíram da minha boca? - foram palavras de bênção e de verdade ou palavras de maledicência, mentira e agressividade?

- Do excesso de consumo, de comida, de bebida, compras, esquecemo-nos de saborear o que é essencial e de partilhar com os meus irmãos?

- Tenho gosto pelas coisas de Deus ou a minha fé tornou-se sem sabor?


Celebrações Eucarísticas

Domingo dia 8Mar, às 09H30, Eucaristia do III Domingo da Quaresma - Ano A


Sábado dia 14Mar, às 17H00, Eucaristia Vespertina  30º Dia de Maria Fernanda Moreira Torres

Domingo dia 15Mar, às 09H30, Eucaristia do IV Domingo da Quaresma - Ano A


Fontes: Dehonianos; Agência Ecclesia


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