Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

sábado, 26 de setembro de 2026

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA LEÃO XIV A FRANÇA (II)

 



O segundo dia em Paris

e chegada a Lourdes

     


O segundo dia do Papa Leão XIV em Paris começou no Centro de Acolhimento para Migrantes, "Maison Bakhita", um projecto da Arquidiocese da capital e administrado pelas Irmãs Scalabrinianas.

O projecto "Maison Bakhita", em Paris, nasceu em resposta ao apelo do Papa Francisco feito em 2017 por ocasião do Dia Mundial do Migrante, quando propôs os famosos quatro verbos para as sociedades contemporâneas em matéria de migração: acolher, proteger, promover e integrar. O centro foi inaugurado em 25 de Setembro de 2021.

Ao agradecer a todos os envolvidos, o Santo Padre fez uma referência à santa sudanesa escravizada, que dá nome à iniciativa, reconhecendo "o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, alternativa à cultura que desagrega as comunidades e torna as cidades doentes de solidão".

Com efeito, observou, a história da Igreja e da humanidade não é escrita por quem parece vencer, mas por quem inicia processos de paz e encoraja à vida.

“Santa Bakhita compromete-nos a ver quem não é visto, a resgatar quem hoje a economia e a cultura fazem escravo, a honrar a dignidade infinita de cada irmão e irmã, nos quais o próprio Jesus bate à nossa porta.”


Ainda na manhã deste Sábado, o Papa Leão XIV encontrou-se com os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os catecúmenos e os neófitos. Reuniu-se com eles para entender ainda mais sobre o fenómeno que tem marcado o país com o forte crescimento do número de adultos e jovens que se preparam para receber o Baptismo e daqueles que se converteram recentemente, mesmo numa sociedade bastante secularizada. Segundo o núncio apostólico Celestino Migliore, o Santo Padre já havia manifestado querer encontrar-se com estes jovens catecúmenos e neófitos no país, depois de já ter recebido mais de 500 franceses em 2025, no Jubileu dos Jovens em Roma, que pediam para ser baptizados.

O Papa Leão XIV ouviu três testemunhos: do catecúmeno Jaoide, da diocese de Nanterre, que falou sobre a importância do acolhimento a quem busca pelos Sacramentos; da neófita Marielle, da diocese de Créteil, que foi baptizada no ano passado e compartilhou os desafios para encontrar o próprio lugar dentro da comunidade; e, por fim, da acompanhante dos catecúmenos da diocese de Évry, Sophie, que enalteceu a alegria da missão que realiza.

O Santo Padre referiu que parece "paradoxal" esse fenómeno de abraçar a fé numa sociedade como a francesa, "marcada por uma cultura fortemente secularizada". Por isso e em pleno instituto que "há séculos contribui para formar mentes e corações a serviço do Evangelho", Leão XIV reflectiu no seu discurso sobre as perspectivas pastorais para melhor acolher catecúmenos e neófitos. Não basta surpreender-se com análises estatísticas e sociológicas sobre as pessoas que redescobriram a proximidade a Deus, alertou o Papa, ao acrescentar:

“O maravilhar-se perante o que está a acontecer com muitos dos nossos irmãos e irmãs não deve fechar-nos numa alegre ingenuidade; pelo contrário, devemos comprometer-nos, procurar, questionar e empreender acções pastorais concretas. É esse o espírito que anima a vossa Assembleia Sinodal e, de um modo mais geral, o caminho da Igreja em França: maravilhados com a imprevisível obra de Deus, o que devemos fazer e para onde nos impele o Espírito a fim de acompanhar os catecúmenos, os neófitos e os que recomeçam?”


A Missa votiva de Nossa Senhora, Fonte da Salvação, presidida pelo Papa Leão XIV na tarde deste Sábado, na Praça da Concórdia, marcou o segundo dia da Viagem Apostólica à França, com a presença de mais de 800 mil fiéis. Num dos lugares mais emblemáticos de Paris, o Santo Padre centrou a homilia na imagem da água viva e na sede de Deus presente no coração humano.

O Papa convidou os fiéis a olharem para o próprio coração e a reconhecerem que nenhuma realidade deste mundo é capaz de satisfazer plenamente o ser humano. Mesmo depois de alcançar objectivos ou ver recompensados os próprios esforços, observou, pode reaparecer um vazio interior que se tenta preencher com novos prazeres, bens ou distracções. Em seguida, propôs algumas perguntas para ajudar nessa reflexão:

“Qual é a nossa sede mais profunda? O que procuramos realmente na vida? Todos aspiramos à felicidade, ao amor, à realização. Mas em que fonte procuramos saciar a nossa sede? Contentamo-nos com os bens materiais, com satisfações imediatas, com tantos pequenos ídolos que prometem mundos e fundos, deixando o nosso coração vazio? Com o Baptismo, recebemos a água viva de que fala o Evangelho, mas será que na verdade encontrámos pessoalmente Cristo? Na sua essência, o ser humano é um ser que ‘deseja’ e só Deus pode preencher este vazio interior.”


No final da celebração na Praça da Concórdia, o Santo Padre seguiu para o Aeroporto de Orly, de onde partiu para Lourdes, próxima etapa de sua Viagem Apostólica à França. No Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, fará uma oração na Gruta das Aparições de Massabielle.



Em Lourdes, o Papa Leão XIV fez-se peregrino na Gruta das Aparições, repetindo os ritos dos fiéis. Deteve-se em oração silenciosa diante da imagem da Virgem Maria; aproximou-se da rocha e tocou-a. De seguida, o Papa bebeu um copo de água da fonte e após colocar uma vela no candelabro, pronunciou a seguinte oração:

“Senhora de Lourdes, Imaculada Conceição, recorremos a Vós com confiança neste lugar abençoado onde, com tanta doçura e ternura, falastes a Santa Bernadette, humilde filha do povo de França, para transmitir ao mundo uma luminosa mensagem de oração, conversão e esperança; Vós sois a Mãe que Jesus nos deu e estais atenta às nossas necessidades.

Rogamos-vos, Senhora Nossa, pela França, de quem sois a Padroeira e a quem, ao longo de tantos séculos, envolvestes com a Vossa protecção. Alcançai para o vosso povo o dom da concórdia fraterna. Que ele construa uma sociedade harmoniosa, banindo toda a violência e todo o ódio, permitindo a cada um trabalhar, constituir a própria família e viver até ao fim com tranquilidade e serenidade. Que os mais desafortunados e os mais pobres sejam sempre apoiados. Alcançai para a França governantes sábios e generosos, dispostos ao sacrifício de si mesmos, capazes de enfrentar os desafios e desejosos de servir o bem comum. Que eles a mantenham em paz no concerto das nações. Que façam ouvir a sua voz para promover a defesa dos direitos humanos fundamentais, bem como a paz no mundo, rejeitando para sempre as lógicas da guerra.

Santa Virgem Maria, apresentamos-vos o Povo de Deus que caminha neste país que tanto marcastes com a vossa proximidade. Renovai a fé e o fervor das famílias cristãs, tão queridas ao vosso coração, para que vivam dia após dia a partir da presença de Jesus, da sua graça e do seu amparo nas dificuldades que atravessam. Que estejam generosamente abertas à vida, e que Deus suscite nelas vocações, nomeadamente sacerdotais e religiosas. Concedei à vossa Igreja em França a capacidade de indicar, sobretudo aos mais jovens, o caminho luminoso do Evangelho para edificarem a sociedade justa e fraterna a que aspiram.

Por fim, Mãe amorosíssima, apresentamos-vos as nossas intenções pessoais mais urgentes, em particular as das pessoas doentes e sofredoras, com os acompanhantes, que em conjunto vieram buscar força e cura. Confiamos-vos os nossos entes queridos e os nossos falecidos. Afastai, nós vos suplicamos, todos os obstáculos que ainda nos separam do vosso amado Filho, e fazei que Ele reine em todos os corações. Ámen.”



Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


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