Foi o tema da catequese do Papa
Iinspirado na segunda parte da Constituição Pastoral "Gaudium et spes", o Papa Leão XIV recordou que os filhos são o maior dom do matrimónio e os pais têm a responsabilidade de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.
Mas antes da sua catequese, o Santo Padre agradeceu mais uma vez aos fiéis pelas orações:
“A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: obrigado! Obrigado pelo apoio das vossas orações. Obrigado a Deus pela sua generosidade. Renovemos todos a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.”
A Gaudium et spes define o matrimónio como "íntima comunidade de vida e de amor conjugal", fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. reforça que o amor conjugal não se limita à atracção erótica, mas envolve toda a vontade dos cônjuges, "reavivando os afectos da alma e expressando-se mediante sentimentos e gestos de ternura", explicou o Santo Padre.
Iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, abrindo-os à fecundidade. Com efeito, os filhos são "o maior dom do matrimónio" e os pais têm a responsabilidade humana e cristã de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.
O documento reitera que vida humana nunca deve ser descartada e deve ser salvaguardada desde o primeiro momento da concepção, evitando o aborto e o infanticídio. Ao transmitirem a vida, os cônjuges tornam-se "cooperadores do amor de Deus criador ".
Por fim, o ensinamento da Gaudium et spes destaca a função social da família, definida como "uma escola de valorização humana" e "o fundamento da sociedade", exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente nos âmbitos político e cultural, ao dever de "contribuir eficazmente para a promoção do matrimónio e da família".
LEÃO XIV - AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II
IV. Constituição pastoral Gaudium et spes
6. O compromisso pela família na sociedade de hoje (GS, 47-52)
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: obrigado! Obrigado pelo apoio das vossas orações. Obrigado a Deus pela sua generosidade. Renovemos todos a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.
A Constituição pastoral Gaudium et spes (GS), do Concílio Vaticano II, depois de ter exposto na primeira parte a dignidade da pessoa e a sua vocação no mundo, na segunda parte, «à luz do Evangelho e da experiência humana», considera alguns problemas contemporâneos mais urgentes (cf. GS, 46). A atenção centra-se em primeiro lugar no matrimónio e na família, na convicção de que «o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar» (GS, 47).
Para tal objectivo, não são simplesmente reiterados os seus valores e fins, mas perfila-se um conceito renovado do matrimónio como «íntima comunidade de vida e de amor conjugal» (GS, 48). Integrando a dimensão jurídica do matrimónio como contrato, o fundamento desta união é reconhecido na «aliança conjugal», entendida como «o acto humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e recebem um ao outro» (ibid.). A doação recíproca do homem e da mulher, de tal forma que «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6), motiva a exigência da «plena fidelidade» e da «indissolubilidade da [...] união» dos cônjuges, encontrando expressão viva na procriação e na educação dos filhos (cf. GS, 48). Reflexo da Trindade divina, o amor conjugal e parental, através do Sacramento do matrimónio, é «dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo», a fim de que os cônjuges possam amar-se reciprocamente «assim como Ele amou a Igreja e se entregou por ela» (ibid.).
Depois de ter esclarecido a realidade do matrimónio à luz do amor de Cristo, que é verdade do amor humano e divino, a Gaudium et spes dirige a sua atenção para o amor conjugal e para a fecundidade matrimonial. Sem se limitar à atracção erótica, que, no entanto, integra em si, o amor conjugal envolve toda a vontade dos esposos, reavivando os afectos da alma e expressando-se mediante sentimentos e gestos de ternura (cf. GS, 49). Abrangendo o bem de toda a pessoa do homem e da mulher, iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, encontrando expressão nos actos exclusivamente próprios do matrimónio (cf. ibid.). Ao mesmo tempo que significa o amor integral de pessoa para pessoa, a intimidade singular dos esposos favorece a sua entrega mútua, enriquecendo a sua alegria recíproca (cf. ibid.).
Além disso, a fecundidade do amor conjugal manifesta-se na procriação dos filhos, «o maior dom do matrimónio» (GS, 50). Transmitindo e educando a vida humana, que nunca deve ser descartada, os esposos tornam-se «cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes» (ibid.). Chamados a tal responsabilidade humana e cristã, eles devem deixar-se orientar por um juízo recto acerca do bem próprio e dos seus filhos, já nascidos ou que vierem a nascer. Este juízo que, em última análise, os próprios cônjuges devem formular perante Deus, exige que a sua consciência esteja em conformidade com a lei divina, interpretada pelo Magistério eclesial à luz do Evangelho (cf. ibid.).
A valorização da comunhão amorosa e da fecundidade pro-criativa no matrimónio leva o Concílio a excluir que possa existir «verdadeira incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal» (GS, 51) e a afirmar, pelo contrário, que «quando se trata [...] de conciliar o amor conjugal com a transmissão [...] da vida», é preciso manter, «num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana» (ibid.). Daí decorre que a vida «deve [...] ser salvaguardada com extrema solicitude desde o primeiro momento da concepção», evitando «o aborto e o infanticídio»; e que os «actos específicos da vida conjugal, realizados segundo a autêntica dignidade humana, devem ser objecto de grande respeito» (ibid.).
Em seguida, o ensinamento da Gaudium et spes sobre a comunidade conjugal e familiar chega a salientar a função social da família, definida como «uma escola de valorização humana» e «o fundamento da sociedade» (GS, 52), exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente no âmbito político e cultural, ao dever de «contribuir eficazmente para a promoção do matrimónio e da família» (ibid.).
Caríssimos, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja sabe-o bem, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal desejada pelo Papa Francisco, a respeito da qual os Chefes das Igrejas Católicas Orientais e os Presidentes das Conferências Episcopais voltaram a debater recentemente. Que a Sagrada Família de Nazaré nos ilumine ao longo do caminho, amparando as famílias do mundo inteiro.
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano

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