O terceiro dia em Madrid
Antes de seguir para o Congresso dos Deputados para o Encontro com os membros do Parlamento espanhol, na manhã desta Segunda-feira, o Papa Leão XIV teve um breve encontro com o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez.
Leão XIV foi o primeiro Papa a visitar e discursar no Parlamento Espanhol. Dois partidos não estiveram presentes, o Podemos e o Bloco Nacionalista Galego. A Presidente do Parlamento Espanhol, Francina Armengol, na sua saudação a Leão XIV falou de uma era actual de "mudanças profundas" e "inquietação drástica", onde alguns dos mais fortes "impõem o massacre de milhares de pessoas vulneráveis com total impunidade" e a ordem internacional conhecida "desmorona a cada dia", não deixando outra opção senão unir forças para reformular medidas em prol de um mundo mais justo. Referiu ainda a necessidade de orientar "a economia para a dignidade e a tecnologia para a igualdade, a estabilidade e a inclusão".
No seu discurso, o Santo Padre exortou à paz através da coragem da negociação, denunciando o rearmamento na Europa e no mundo: "A verdadeira segurança vem do respeito pelo direito internacional". Fez também um apelo em prol da defesa da vida e da família, bem como da protecção da liberdade religiosa. Pediu respostas concretas para a crise migratória a fim de garantir acolhimento e integração.
“Que a dignidade, a justiça e o bem comum sejam a medida das relações sociais, tanto no âmbito nacional quanto internacional.”
“Toda a guerra é uma dolorosa derrota para a capacidade de negociação e também para aquela consciência humana comum que reconhece os laços de justiça entre as nações. As armas podem impor um silêncio temporário, mas jamais poderão construir uma paz autêntica e duradoura.”
“Quando uma pessoa é discriminada com base em sua origem nacional, étnica, religiosa ou linguística, ou em sua condição económica ou social, o princípio universal da igual dignidade de todos os seres humanos é gravemente violado.”
Destaques do Encontro com Membros do Parlamento Espanhol:
Na sede da Conferência Episcopal Espanhola, em Madrid, o Papa reuniu-se com os bispos do país. No seu discurso, reflectiu sobre os desafios da evangelização numa sociedade marcada pela secularização, pelas mudanças culturais e pelas divisões crescentes.
Leão XIV recordou que a Igreja é chamada a discernir aquilo que deve ser preservado e aquilo que precisa ser deixado para trás quando já não favorece o anúncio do Evangelho. O Papa também ressaltou a centralidade da Palavra de Deus e da Eucaristia na vida cristã, descrevendo-as como o alimento indispensável para o caminho dos fiéis. Dirigindo-se com firmeza aos bispos, recordou a responsabilidade particular que lhes cabe como promotores da unidade, do diálogo e da reconciliação dentro das comunidades que lhes foram confiadas.
Destaques do Encontro com com Bispos Espanhois:
Na Catedral de Santa María la Real de la Almudena, o Santo Padre prestou homenagem à padroeira da capital espanhola e concedeu à imagem mariana a tradicional Rosa de Ouro, uma das mais antigas e importantes distinções honoríficas papais concedidas pela Igreja Católica. O gesto marcou a visita apostólica do Papa à Espanha e reuniu milhares de fiéis na catedral localizada em frente ao Palácio Real, no coração histórico da cidade.
"Hoje colocarei aos seus pés a Rosa de Ouro, símbolo do amor filial do Papa à Virgem Maria".
O Papa Leão XIV recordou a tradição segundo a qual a imagem da Virgem da Almudena permaneceu escondida durante séculos em uma muralha da antiga cidadela de Madrid para protegê-la durante períodos de perseguição à comunidade cristã. A imagem teria sido reencontrada intacta após o desmoronamento milagroso de parte dos muros.
Dirigindo-se aos fiéis da Arquidiocese de Madrid, pediu que se mantenham unidos como uma única família de irmãos e irmãs e que sejam promotores da comunhão num mundo cada vez mais fragmentado.
Destaques da Oração e homenagem à Virgem de Almudena:
No Estádio Santiago Bernabéu, o Papa Leão XIV encontrou-se com a Comunidade Diocesana de Madrid.
O Santo Padre convidou a fazer "da escuta e do diálogo o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade". "Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes parece-nos que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança", disse o Papa, convidando a "oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade".
A propósito do papel dos conselhos paroquiais e diocesanos, o Papa sublinhou que eles têm o objectivo de "transformar a sensibilidade de cada pessoa por meio de uma escuta mais profunda daquilo que o Espírito diz à Igreja". "Eles são espaços de escuta recíproca para o exercício do discernimento, sem o qual não apenas cada um segue o seu próprio caminho, mas corremos o risco de não compreender onde o Senhor nos quer, o que espera de nós e a quais conversões nos chama", destacou. "Quando cuidamos desses espaços, então o culto transforma-se em vida e, entre as pessoas, surgem laços de fraternidade e projectos de solidariedade".
Destaques do Encontro com a Comunidade Diocesana de Madrid:
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


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