Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

quarta-feira, 10 de junho de 2026

VIAGEM APOSTÓLICA A ESPANHA (V)




O segundo dia

em Barcelona


   


Esta Quarta-feira o Papa Leão XIV visitou o Centro Penitenciário Brians 1, em Barcelona. A penitenciária foi inaugurada em 1991 e está entre os maiores estabelecimentos penitenciários da Catalunha. Além de acolher homens e mulheres em regime prisional, abriga uma unidade hospitalar psiquiátrica de referência para todo o sistema penitenciário da Catalunha.

Na sua saudação aos reclusos, o Papa recordou que nenhuma pessoa perde a sua dignidade aos olhos de Deus e encorajou os presentes a não permitirem que os erros do passado definam o seu futuro.

Dois testemunhos marcaram o encontro.

Montse contou ter redescoberto a fé justamente durante o período de encarceramento. Depois de anos marcados pelo sofrimento, pela perda do filho e por um profundo questionamento diante do silêncio de Deus, relatou ter encontrado novamente a esperança. Disse ter compreendido que Deus não era o responsável por sua dor e agradeceu o dom da fé, que a ajudou a abandonar o ressentimento e a reencontrar a paz interior.

Josefina, por sua vez, recordou a educação cristã recebida desde a infância e afirmou que, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, especialmente após o grave acidente sofrido por seu filho, jamais deixou de perceber a presença de Deus. Hoje, segundo relatou, é essa mesma fé que lhe dá força para enfrentar a experiência da prisão e continuar olhando para o futuro com esperança.

Na saudação, o Papa Leão XIV afirmou ter ficado profundamente edificado pelos testemunhos apresentados e agradeceu o serviço prestado pelos capelães e voluntários da pastoral penitenciária. O Santo Padre recordou que toda pessoa possui uma dignidade inviolável, porque é querida, criada e amada por Deus:

Não existe, portanto, nenhuma situação que faça com que o Senhor desvie o seu olhar de nós. É uma verdade consoladora que nos acompanha em todos os momentos e nos lembra como o seu amor misericordioso está sempre acima do bem ou do mal que tenhamos feito.”

Dirigindo-se particularmente aos reclusos, o Papa reconheceu o peso da separação dos familiares e o sofrimento provocado pela própria condição de privação de liberdade. Ao mesmo tempo, convidou-os a resistirem à tentação do desânimo e da perda da auto-estima. 


Ao presidir à Recitação do Rosário diante da imagem da Virgem de Montserrat, conhecida popularmente como “Moreneta”, padroeira da Catalunha, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a abandonarem as “armaduras” que endurecem o coração e a cultivarem relações marcadas pela reconciliação, pela comunhão e pela paz.

No seu discurso, o Santo Padre destacou que Jesus indica o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão. Ao mesmo tempo, advertiu para a violência que pode esconder-se em atitudes aparentemente comuns, como a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressividade que divide. Muitas vezes, observou, essas formas de violência surgem revestidas por “armaduras” construídas para proteger feridas, medos ou sofrimentos. Exortou os fiéis a revestirem-se unicamente das “armas de Deus”, descritas por São Paulo como a verdade, a justiça, a fé e o Evangelho da paz.


No Encontro com as Organizações de Caridade e Assistência da Diocese, na Igreja de Santo Agostinho, Leão XIV usou metáforas futebolísticas e recordou sua infância, marcada pelo desporto e sem nenhuma pretensão de ser Papa.

"O senhor gosta de futebol? Quando pequeno queria ser Papa? Por que algumas pessoas sofrem mais que outras? Por que há tantos avós solitários se eles são tão importantes? É preciso perdoar sempre?" – Estas, as perguntas que Renzo, um menino de 6 anos, dirigiu ao Santo Padre e às quais Leão XIV respondeu, no seu discurso, durante o encontro.

Para além de responder sobre o querer ser Papa quando criança e sobre o futebol, o sofrimento e a solidão também foram abordados pelo Papa, que recordou que Deus nunca abandona seus filhos, muito menos os idosos.

O Santo Padre prosseguiu o discurso ressaltando um traço específico do cristão, que é precisamente a caridade:

"O cristão, além de bondoso e amável, há-de ser compassivo, amar desinteressadamente e procurar o bem dos outros, sabendo que em cada irmão e irmã que sofre é o próprio Senhor quem pede e recebe, quem é acolhido ou rejeitado, amado ou desprezado".


Ao final da tarde, o Papa Leão XIV presidiu à Missa na Basílica da Sagrada Família onde inaugurou a Torre de Jesus Cristo, o ponto mais alto da Basílica. A celebração eucarística assinalou também o centenário da morte do arquitecto Antoni Gaudí.

A construção da Basílica da Sagrada Família começou em 1882, a partir do projecto do arquitecto diocesano Francisco de Paula del Villar (1828-1901), mas foi Gaudí quem, a partir de 1883, lhe traçou um novo destino. É um dos símbolos distintivos da identidade de Barcelona.


«Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!» Com este versículo do Salmo 8 o Santo Padre iniciou sua homilia na Basílica da Sagrada Família que "nos acolhe nesta bela cidade", convidando-nos "a escutar a Palavra de Deus, que nos constitui numa família amada pelo Senhor, alimentada pela sua própria vida na Eucaristia".

Esta igreja é um edifício único, constituído por muitas pedras. Uma casa que cresce continuamente ao longo dos anos, seguindo um mesmo projecto. Todos nós somos as pedras vivas desta obra, que tem Cristo como fundamento e ápice, princípio e fim. Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projecto que é levado a cabo por Deus.”

O Papa concluiu, convidando a demonstrar "que a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo".


Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


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