Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

domingo, 30 de novembro de 2025

VIAGEM APOSTÓLICA À TURQUIA E AO LÍBANO (IV)



Terminada a visita à Turquia

e iniciada a visita ao Líbano

   


No quarto dia de Viagem Apostólica à Turquia, o Papa Leão XIV fez uma visita de oração à Catedral Arménia Apostólica em Istambul, um dos centros religiosos mais antigos e importantes para a própria comunidade no país, além de ser uma das quatro sedes históricas da Igreja dos Arménios.

Na saudação ao Papa, o Patriarca Arménio recordou o "significado extraordinário" da visita ao país, pelos 1700 anos do I Concílio de Niceia, um aniversário que "é sagrado" sobretudo para a Igreja dos Arménios, "que abraçou o Credo Niceno com firme devoção": "portanto, hoje o recebemos não apenas como um hóspede de honra, mas também como irmão e companheiro guardião da fé nicena".

O Patriarca dos Arménios agradeceu pela visita histórica e convidou a rezar juntos pela paz duradoura em terras sangrentas e entre povos devastados pela guerra e comunidades cuja sobrevivência está ameaçada. Acima de tudo, "oremos pela unidade de todos aqueles que confessam Cristo. Que a fé nicena, professada com uma só voz há muito tempo, volte a ser um vínculo inquebrantável de fraternidade".

"Nas últimas décadas, as relações entre nossas Igrejas alcançaram uma profundidade antes quase inimaginável. Através do diálogo, da oração comum e da amizade sincera, percorremos este caminho juntos. Sua visita hoje é um sinal poderoso de que as Igrejas estão se aproximando fraternalmente uma da outra, não como rivais. Ela diz ao mundo que a unidade dos cristãos é possível porque é a vontade de Deus."

Da sua parte, o Papa Leão XIV agradeceu a Deus "pelo corajoso testemunho cristão do povo arménio ao longo da história, muitas vezes em circunstâncias trágicas" e pelos "laços fraternos cada vez mais estreitos" que unem as duas Igrejas, recordando factos históricos para a promoção da unidade, o mais recente com o aniversário de 1700 anos do I Concílio Ecuménico "para celebrar o Credo Niceno":

É a esta fé apostólica comum que devemos recorrer para recuperar a unidade entre a Igreja de Roma e as antigas Igrejas Orientais que existia nos primeiros séculos. Devemos também inspirar-nos na experiência da Igreja primitiva para restaurar a plena comunhão, que não implica absorção ou domínio, mas uma troca dos dons do Espírito Santo recebidos pelas nossas Igrejas para a glória de Deus Pai e a edificação do corpo de Cristo”


Ainda durante a manhã deste Domingo, cerca de quatrocentos fiéis — entre bispos, sacerdotes, religiosos e representantes de diversas Igrejas cristãs — reuniram-se na Igreja Patriarcal de São Jorge, em Istambul, para a celebração da Divina Liturgia na festa do Apóstolo André, fundador da Sé de Constantinopla segundo a tradição. A celebração foi presidida por Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecuménico.

O Papa Leão XIV participou da Divina Liturgia e acompanhou com recolhimento cada momento da liturgia bizantina, unindo-se espiritualmente à oração pelo dom da unidade entre as Igrejas. No final, proferiu um discurso.

Desejo confirmar que, em continuidade com o que foi ensinado pelo Concílio Vaticano II e pelos meus Predecessores, perseguir a plena comunhão entre todos os que são baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, no respeito pelas legítimas diferenças, é uma das prioridades da Igreja Católica, em particular do meu ministério de Bispo de Roma, cujo papel específico a nível da Igreja universal consiste em estar ao serviço de todos para construir e preservar a comunhão e a unidade.”

No final da Divina Liturgia, o Patriarca Bartolomeu I e o Papa Leão XIV, da varanda da Igreja Patriarcal de São Jorge, concederam aos fiéis a Bênção Ecuménica.


Depois do almoço, com sua Santidade Bartolomeu I no Patriarcado Ecuménico, o Santo Padre despediu-se da Turquia e seguiu com destino a Beirute, a segunda etapa da primeira Viagem Apostólica onde cumprirá agenda até a próxima Terça-feira.


Uma calorosa recepção marcou a chegada de Leão XIV a Beirute, capital libanesa. No aeroporto de Beirute, que tem o nome do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, assassinado juntamente com sua equipe de segurança em um ataque em 14 de Fevereiro de 2005, o Papa foi recebido pelo núncio Apostólico e pelo chefe do Protocolo do Líbano.

Se na Turquia a ênfase foi para o ecumenismo e o dialogo inter-religioso, em Beirute o tema central é a paz, como refere o lema da visita: "Bem-aventurados os pacificadores".

O Líbano enfrenta uma das piores crises económicas da história moderna, com inflação e uma desvalorização dramática da moeda local. Há falta de serviços: frequentes quedas de energia, escassez de medicamentos e combustível. Une-se a isso a corrupção estrutural e a presença no território de aproximadamente dois milhões de refugiados, entre sírios e palestinianos - o que representa cerca de um terço da população, agravando as tensões sociais. Na ausência do Estado, instituições religiosas, sobretudo aquelas ligadas à Igreja Católica, desempenham um papel vital no apoio à população. O regime democrático e o pluralismo confessional distinguem o Líbano de todos os países do Oriente Médio. De facto, os primeiros eventos de Leão XIV são dedicados às instituições políticas, com a cerimónia de boas-vindas no aeroporto, a visita ao presidente do país, Joseph Aoun, que, segundo a Constituição, deve ser sempre um cristão maronita. O Papa reunirá com os representantes dos três pilares do sistema confessional libanês: maronita, xiita e sunita.


Seguiu-se a Visita de Cortesia ao Presidente da República no Palácio Presidencial.


O último compromisso de hoje foi o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, ocasião em que pronunciará seu primeiro discurso no Líbano.

No seu discurso às autoridades libanesas, o Papa ressaltou que "o compromisso e o amor pela paz não conhecem o medo diante das aparentes derrotas, nem se deixam abater pelas desilusões, mas sabem olhar para o futuro, acolhendo e abraçando todas as realidades com esperança". "A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas", disse Leão XIV, sublinhando "o papel indispensável das mulheres no árduo e paciente esforço de preservar e construir a paz".

Recordando as palavras de Jesus, «Felizes os que promovem a paz», o Santo Padre reflectiu sobre o que significa ser promotor de paz "em circunstâncias muito complexas, conflituosas e incertas".

É preciso tenacidade para construir a paz; é preciso perseverança para cuidar e fazer a vida crescer.”

Sofrestes muito as consequências de uma economia que mata, da instabilidade global – que também no Levante tem repercussões devastadoras –, bem como da radicalização das identidades e dos conflitos; mas sempre quisestes e soubestes recomeçar.”

A paz é, na verdade, muito mais do que um sempre precário equilíbrio entre aqueles que vivem separados sob o mesmo tecto. A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas. Uma reconciliação que, além de nos fazer conviver, nos ensinará a trabalhar juntos, lado a lado, por um futuro partilhado. Estamos inseridos juntos num desígnio que Deus preparou para que nos tornemos uma família.”

Sabemos que a incerteza, a violência, a pobreza e muitas outras ameaças produzem aqui, como em outros lugares do mundo, uma sangria de jovens e famílias que procuram um futuro melhor noutro lugar, mesmo com grande dor por deixarem a sua pátria.”

Gostaria de sublinhar o papel indispensável das mulheres no árduo e paciente esforço de preservar e construir a paz. Não esqueçamos que as mulheres têm uma capacidade específica de promover a paz, porque sabem conservar e desenvolver laços profundos com a vida, com as pessoas e com os lugares.”

Assim é a paz: um caminho movido pelo Espírito, que coloca o coração em escuta e o torna mais atento e respeitoso para com o outro. Que cresça entre vós este desejo de paz que nasce de Deus e pode transformar, já hoje, a maneira de olhar para os outros e de habitar juntos esta Terra que Ele ama profundamente e continua a abençoar.”


Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


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