Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

VIAGEM APOSTÓLICA À TURQUIA (II)

 

Somos convidados a superar

o escândalo das divisões

e a buscar a unidade

   


No início do segundo dia de sua Viagem Apostólica à Turquia, durante o Encontro de oração com os Bispos, os Sacerdotes, os Diáconos, os Consagrados e os Agentes Pastorais na Catedral do Espírito Santo, em Istambul, o Papa Leão XIV recorda as profundas raízes cristãs da região e encoraja a pequena comunidade católica do país a cultivar esperança, serviço e renovada missão. Participaram do encontro cerca de 800 pessoas, entre fiéis reunidos dentro e fora da igreja.

Do Discurso do do Santo Padre:

Entre os sinais mais belos e promissores, penso nos muitos jovens que batem às portas da Igreja Católica, trazendo as suas perguntas e inquietações. Quanto a isso, exorto-vos a continuar o rigoroso trabalho pastoral que estais a realizar; do mesmo modo, encorajo-vos a ouvir e acompanhar os jovens e a cuidar daqueles âmbitos em que a Igreja na Turquia é chamada a trabalhar de maneira especial: o diálogo ecuménico e inter-religioso, a transmissão da fé à população local, o serviço pastoral aos refugiados e aos migrantes.”

Não quero esquecer que nesta vossa terra foram celebrados os primeiros oito Concílios Ecuménicos. Este ano comemora-se o aniversário dos 1700 anos do Primeiro Concílio de Niceia, «marco no caminho da Igreja e também de toda a humanidade» (Papa Francisco), um acontecimento sempre actual, apresentando-nos alguns desafios que gostaria de mencionar.

- O primeiro é a importância de captar a essência da fé e do ser cristão.(...)

- O segundo desafio diz respeito à urgência de redescobrir em Cristo o rosto de Deus Pai.(...)

- Por fim, um terceiro desafio: a mediação da fé e o desenvolvimento da doutrina.(...)”



Ainda em Instambul, o Papa Leão XIV visitou a Casa de Acolhimento para Idosos das Pequenas Irmãs dos Pobres que cuidam e confortam até à morte natural. O Pontífice agradeceu pela missão realizada diariamente e desvendou o "segredo da caridade cristã: antes de ser para os outros, ser com os outros, numa partilha baseada na fraternidade".

Da Saudação do Santo Padre:

Gostaria de vos deixar duas pequenas reflexões.

A primeira, queridas Irmãs, inspira-se no vosso nome: chamais-vos “Pequenas Irmãs dos Pobres”. Um nome belíssimo, que nos faz pensar! Sim, o Senhor não vos chamou apenas para assistir ou ajudar os pobres. Ele chamou-vos para serdes suas “irmãs”! Como Jesus, que o Pai nos enviou não apenas para nos ajudar e servir, mas para ser nosso irmão. Este é o segredo da caridade cristã: antes de ser para os outros, ser com os outros, numa partilha baseada na fraternidade.

A segunda reflexão é inspirada em vós, queridos residentes desta casa. Vós sois idosos. E esta palavra, “idoso”, corre hoje o risco de perder o seu verdadeiro significado: em muitos contextos sociais, onde predominam a eficiência e o materialismo, perdeu-se o sentido de respeito pelas pessoas idosas. Em vez disso, a Sagrada Escritura e as boas tradições ensinam-nos que – como o Papa Francisco gostava de repetir – os idosos são a sabedoria de um povo, uma riqueza para os netos, para as famílias e para toda a sociedade!”



Na parte da tarde do segundo dia da visita à Turquia, o Santo Padre deslocou-se de Istambul para Íznik - antiga Niceia -, situada a 130km de Istambul, para o Encontro ecuménico de oração perto das escavações arqueológicas da antiga Basílica de São Neófito em Íznik, ponto alto da primeira etapa desta Viagem Apostólica Internacional de Leão XIV, por ocasião dos 1.700 anos do Primeiro Concílio de Niceia. Na cidade onde convergem história e fé, nas proximidades das escavações arqueológicas da antiga Basílica de São Neófito, o Bispo de Roma encontrou-se com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, metropolitas e vários líderes religiosos, Chefes das Igrejas e Representantes das Comunhões Cristãs mundiais para um Momento Ecuménico de Oração e recitaram juntos o Credo Niceno-Constantinopolitano.

Do Discurso do do Santo Padre:

Numa época, em muitos aspectos, dramática, em que as pessoas estão sujeitas a inúmeras ameaças à sua própria dignidade, o 1.700º aniversário do Primeiro Concílio de Niceia é uma ocasião preciosa para nos perguntarmos quem é Jesus Cristo na vida das mulheres e dos homens de hoje e quem é Ele para cada um de nós. Esta questão interpela particularmente os cristãos, que correm o risco de reduzir Jesus Cristo a uma espécie de líder carismático ou super-homem, uma deturpação que acaba por conduzir à tristeza e à confusão (cf. Homilia da Santa Missa Pro Ecclesia, 9 de maio de 2025). Ário, ao negar a divindade de Cristo, reduziu-o a um simples intermediário entre Deus e os seres humanos, ignorando a realidade da Encarnação, de modo que o divino e o humano permaneceram irremediavelmente separados. Mas se Deus não se fez homem, como podem os mortais participar da sua vida imortal? Era isto que estava em jogo em Niceia e está em jogo hoje: a fé no Deus que, em Jesus Cristo, se fez como nós para nos tornar «participantes da natureza divina».”

A reconciliação é hoje um apelo que vem da inteira humanidade afligida por conflitos e violência. O desejo de plena comunhão entre todos os que crêem em Jesus Cristo é sempre acompanhado pela busca da fraternidade entre todos os seres humanos. No Credo Niceno professamos a nossa fé «em um só Deus, Pai todo-poderoso»; no entanto, não seria possível invocar Deus como Pai se recusássemos reconhecer os outros homens e mulheres como irmãos e irmãs, também eles criados à imagem de Deus. (…) O uso da religião para justificar a guerra e a violência, assim como qualquer forma de fundamentalismo e fanatismo, deve ser rejeitado com veemência, enquanto os caminhos a seguir são os do encontro fraterno, do diálogo e da colaboração.”



Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


Sem comentários:

Enviar um comentário