Caminhar juntos,
valorizando o que nos une
Na manhã deste sábado, o Papa visitou a Mesquita do Sultão Ahmed, um dos locais mais simbólicos de Istambul. A visita durou cerca de quinze minutos e foi realizada "com profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração". O Pontífice estava acompanhado pelo ministro da Cultura e Turismo, Ersoy, pelo mufti de Istambul, Tuncel, e pelo imame Fatih Kaya.
Descalço, com as mãos ao lado do corpo e a cabeça erguida, contemplando os 21.043 azulejos de cerâmica turquesa. De facto, trata-se da chamada "Mesquita Azul", um dos monumentos mais simbólicos e evocativos da metrópole turca, visitada anteriormente pelo Papa Bento XVI em 2006 e pelo Papa Francisco em 2014 (como hoje, dia 29 de Novembro).
Depois, o Santo Padre dirigiu-se à Igreja Ortodoxa Siríaca Mor Ephrem, localizada em Yesilkoy, no lado europeu de Istambul. Dedicada a Efrém, o Sírio, foi inaugurada em 2023, após uma construção que durou cerca de uma década e foi adiada diversas vezes devido à pandemia de Covid-19 e ao terramoto. É a primeira e, até o momento, a única igreja construída na Turquia desde a fundação da República.
No encontro a portas fechadas com os líderes e representantes das Igrejas e comunidades cristãs, o Papa retoma a comemoração do Concílio de Niceia, expressa a esperança de novos encontros e recorda que a divisão entre os cristãos é um obstáculo ao seu testemunho.
Ali, o Papa Leão XIV reuniu-se em particular com líderes e representantes de Igrejas e comunidades cristãs, alguns dos quais estiveram presentes este sábado em Íznik na cerimónia que comemorou o 1700º aniversário do Concílio de Niceia. Hoje, todos estão sentados ao redor de uma mesa redonda, e o Papa foi recebido pelo Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, com quem se encontrará novamente no Fanar, sede do Patriarcado, no início da tarde, e com quem assinará uma Declaração Conjunta.
No final do encontro o Papa Leão XIV convidou todos a caminharem juntos na jornada espiritual que leva ao Jubileu da Redenção em 2033, com vista ao retorno a Jerusalém, ao Cenáculo, local da Última Ceia de Jesus com seus discípulos, onde ele lavou seus pés, e local do Pentecostes. Essa jornada conduz à plena unidade, citando seu lema episcopal: "In Illo Uno Unum".
Por ocasião da Doxologia [Louvor ou prece à glória de Deus, como no Gloria in excelsis], uma expressão de unidade na fé entre católicos e ortodoxos, houve uma mútua saudação entre Leão XIV e o Patriarca Bartolomeu I, líder espiritual da Igreja Ortodoxa, na Igreja Patriarcal de São Jorge em Instambul: "somos encorajados no nosso compromisso de buscar a restauração da plena comunhão entre todos os cristãos, uma tarefa que empreendemos com a ajuda de Deus", disse o Papa.
SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE
Igreja Patriarcal de São Jorge (Istambul), Sábado, 29 de Novembro de 2025
Santidade, amado irmão em Cristo,
Permita-me que comece por expressar a minha mais profunda gratidão pelo acolhimento caloroso e pelas suas amáveis palavras de saudação. Agradeço igualmente aos membros do Santo Sínodo, bem como ao clero e aos fiéis, com quem partilhamos esta oração da tarde.
Ao entrar nesta igreja, senti uma grande emoção, pois sou consciente de que sigo os passos dos Papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Sei também que Vossa Santidade teve a oportunidade de encontrar pessoalmente os meus veneráveis predecessores e desenvolver com eles uma amizade sincera e fraterna, baseada na fé partilhada e numa visão comum de muitos dos principais desafios da Igreja e do mundo. Estou certo de que o nosso encontro também contribuirá para fortalecer os laços da nossa amizade, que já começou a aprofundar-se quando nos conhecemos na inauguração do meu ministério como Bispo de Roma, especialmente durante a solene celebração da Santa Eucaristia, na qual Vossa Santidade teve a gentileza de estar presente.
Vivemos momentos extraordinários de graça, ontem e nesta manhã, ao comemorarmos com os nossos irmãos e irmãs na fé o 1.700º aniversário do Primeiro Concílio Ecuménico de Niceia. Ao recordarmos acontecimento tão significativo, e inspirados pela oração de Jesus para que todos os seus discípulos sejam um (cf. Jo 17, 21), somos encorajados no nosso compromisso de buscar a restauração da plena comunhão entre todos os cristãos, uma tarefa que empreendemos com a ajuda de Deus. Impulsionados por este desejo de unidade, preparamo-nos também para celebrar a memória do apóstolo André, santo padroeiro do Patriarcado Ecuménico. Nesta oração da tarde, o diácono dirigiu a Deus a prece “pela estabilidade das Santas Igrejas e pela unidade de todos”. Esta mesma súplica ecoará também na Divina Liturgia de amanhã. Que Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, tenha misericórdia de nós e realmente atenda essa súplica.
Agradecendo, uma vez mais, o acolhimento fraterno, gostaria de expressar a Vossa Santidade e a todos os presentes os meus mais fervorosos votos augurais ao celebrardes a festa do vosso santo padroeiro.
Na celebração dos 1700 anos do Concílio de Niceia, o Papa Leão XIV e o Patriarca Bartolomeu I fizeram uma Declaração Conjunta sobre os caminhos da unidade dos cristãos.
Na declaração conjunta, o Papa Leão XIV e o Patriarca Bartolomeu afirmaram entre outras coisas que os obstáculos à união dos cristãos devem ser enfrentados através do caminho do diálogo teológico, assim como a importância de reconhecer que o que nos une é a fé expressa no Credo de Niceia. Em relação à Páscoa, espera-se dos cristãos um contínuo processo de explorar uma possível solução para celebrar juntos a Festa das Festas todos os anos. Por fim, afirmaram que a meta da unidade cristã inclui o objectivo de contribuir de maneira fundamental e vivificante para a paz entre todos os povos, condenando o uso da religião e do nome de Deus para justificar a violência.
Concluindo a Declaração Conjunta,
“Embora estejamos profundamente alarmados com a actual situação internacional, não perdemos a esperança. Deus não abandonará a humanidade. O Pai enviou o seu Filho Unigénito para nos salvar, e o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, concedeu-nos o Espírito Santo, para nos tornar participantes da sua vida divina, preservando e protegendo a sacralidade da pessoa humana. Pelo Espírito Santo, sabemos e experimentamos que Deus está connosco. Por isso, na nossa oração, confiamos a Deus todos os seres humanos, de modo particular aqueles que padecem necessidade, os que passam fome, solidão ou doença. Invocamos sobre cada membro da família humana todas as graças e bênçãos «para que tenham ânimo nos seus corações, vivendo bem unidos no amor, e assim atinjam toda a riqueza, que é a plena compreensão, o conhecimento do mistério de Deus» (Cl 2, 2): nosso Senhor Jesus Cristo.”
Na homilia da missa celebrada na Volkswagen Arena, em Istambul, na Turquia, o Papa convidou a derrubar "os muros do preconceito e da desconfiança, promovendo o conhecimento e a estima recíproca, para dar a todos uma forte mensagem de esperança". Pediu aos cristãos para "favorecer e fortalecer os laços que nos unem, para enriquecermo-nos mutuamente e sermos, diante do mundo, um sinal crível do amor universal e infinito do Senhor".
“Celebramos esta Santa Missa na véspera do dia em que a Igreja recorda Santo André, Apóstolo e Padroeiro desta terra. Ao mesmo tempo, iniciamos o Advento, preparando-nos para reviver, no Natal, o mistério de Jesus, Filho de Deus, «gerado, não criado, consubstancial ao Pai», como os Padres reunidos no Concílio de Niceia solenemente declararam há 1700 anos.”
O Papa Leão convidou a cultivar "a nossa fé com a oração e os Sacramentos", a vivê-la "coerentemente na caridade", a rejeitar, como disse São Paulo, "as obras das trevas e vestir as armas da luz".
"O Senhor, a quem esperamos em sua vinda gloriosa no fim dos tempos, vem todos os dias bater à nossa porta. Estejamos prontos com o compromisso sincero de uma vida boa, como nos ensinam os numerosos modelos de santidade de que é rica a história desta terra."
“Queremos caminhar juntos, valorizando o que nos une, derrubando os muros do preconceito e da desconfiança, promovendo o conhecimento e a estima recíproca, para dar a todos uma forte mensagem de esperança e um convite a tornarem-se “operadores de paz”.”
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano


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