Iniciada hoje
com o primeiro dia na Argélia
A Viagem Apostólica a África, iniciada esta Segunda-feira, um dia depois de, como vem sendo referido na comunicação social, o Santo Padre ter sido criticado pelo Presidente da sua terra natal, questionando as suas posições em matérias de combate ao crime e política internacional.
Durante o voo para Argel, primeira etapa da viagem apostólica à África, Leão XIV, respondendo a uma pergunta sobre as críticas que lhe foram dirigidas pelo presidente, respondeu, “não quero entrar em um debate. A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”. Referindo-se ao presidente, o Santo Padre disse ainda, “Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”.
“Continuarei a manifestar-me veementemente contra a guerra, procurando promover a paz, fomentando o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer hoje, demasiados inocentes foram mortos e creio que alguém deve levantar-se e dizer que existe um caminho melhor”.
Ao desembarcar no Aeroporto internacional Houari Boumédiène, o Papa foi recebido pelo Núncio Apostólico e pelo Chefe de Protocolo da Argélia. Uma menina em trajes típicos ofereceu flores e o Santo Padre foi acompanhado ao Salão de Honra para um breve encontro privado com o Presidente argelino. De lá, o Papa Leão XIV seguiu para o primeiro evento oficial no Memorial dos Mártires, inaugurado em 1982 por ocasião do 20º aniversário da independência. Aí, uma multidão de cerca de 5.000 pessoas aguardava a saudação do Papa. Referindo-se à luta de libertação, disse que a verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações:
"Sei como é difícil perdoar. Todavia, enquanto os conflitos continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração".
“O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz. Por fim, a justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra.”
Após a visita de cortesia ao presidente da República, Abdelmadjid Tebboune, dirigiu-se para Centro de Congressos Djamaa el Djazair para o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Após o discurso do presidente, o Santo Padre tomou a palavra para expressar sua gratidão pelo convite para visitar a Argélia. Ao denunciar as actuais tentativas neocoloniais e as contínuas violações do direito internacional, Leão XIV afirmou que a verdadeira força de um país reside na cooperação de todos para a realização do bem comum:
"As autoridades não são chamadas a dominar, mas a servir o povo e o seu desenvolvimento".
Na tarde desta segunda-feira, na capital da Argélia, o Papa Leão XIV, após tirar os sapatos, visitou a Grande Mesquita de Argel, a terceira maior do mundo depois da de Meca e de Medina na Arábia Saudita, mas a maior do continente africano. O momento de diálogo com o reitor foi marcado pela gratidão de estar num “lugar que representa o espaço que pertence a Deus, terra também do meu pai espiritual, Santo Agostinho, que quis ensinar tanto ao mundo, sobretudo com a busca da verdade, a busca de Deus, reconhecendo a dignidade de cada ser humano e a importância de construir a paz”.
“Buscar a Deus é também reconhecer a imagem de Deus em cada criatura, filho de Deus, em cada homem e mulher criados à imagem e semelhança de Deus”.
Depois da visita à Grande Mesquita, o compromisso de Leão XIV foi com as religiosas do Centro de Acolhimento e de Amizade das Irmãs agostinianas Missionárias em Bab El Oued, para prestar homenagem à memória de algumas religiosas dessa comunidade, assassinadas na década de 1990 durante a guerra civil.
Na tarde desta Segunda-feira, em Argel, o Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade católica argelina na Basílica de Nossa Senhora da África. Ouviu os testemunhos de quatro representantes da comunidade e depois iniciou o seu terceiro discurso em terras argelinas, manifestando satisfação por se encontrar com essa comunidade, "uma presença discreta e preciosa, enraizada nesta terra, marcada por uma história antiga e por luminosos testemunhos de fé".
“A vossa comunidade tem raízes muito profundas. Sois herdeiros de uma série de testemunhas que deram a vida, movidas pelo amor a Deus e ao próximo. Penso, em particular, nos dezanove religiosos e religiosas mártires da Argélia, que escolheram estar ao lado deste povo nas suas alegrias e nas suas dores. O sangue deles é uma semente viva que nunca deixa de dar fruto.”
O Papa Leão XIV reflectiu sobre três aspectos da vida cristã: a oração, a caridade e a unidade.
Em relação ao primeiro aspecto, a oração, disse que "todos nós somos necessitados da oração".
"A oração une e humaniza, fortalece e purifica o coração, e a Igreja argelina, graças à oração, semeia humanidade, unidade, força e pureza à sua volta, alcançando lugares e contextos que só o Senhor conhece".
Quanto ao segundo aspecto da vida eclesial - a caridade, falou a Irmã Bernadette, partilhando a sua experiência de ajuda às crianças com necessidades especiais e aos seus pais", frisando o Santo Padre:
"Neste testemunho, percebemos o valor da misericórdia e do serviço, não só como apoio aos mais frágeis, mas sobretudo como um espaço de graça, no qual quem se deixa envolver cresce e se enriquece".
A seguir, o Papa Leão XIV falou a propósito do terceiro ponto: o compromisso de promover a paz e a unidade. "O lema desta visita são as palavras de Jesus ressuscitado: «A paz seja convosco!»", recordou o Papa.
"A paz e a harmonia têm sido características fundamentais da comunidade cristã desde as suas origens, por desejo do próprio Jesus, que disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.».
Sobre a comunhão entre cristãos e muçulmanos, frisou Leão XIV, "Esta basílica é símbolo de uma Igreja de pedras vivas, na qual, sob o manto de Nossa Senhora da África, se constrói a comunhão entre cristãos e muçulmanos".
“Num mundo onde as divisões e as guerras semeiam dor e morte entre as nações, nas comunidades e até mesmo nas famílias, o vosso viver unidos e em paz é um grande sinal. Unidos, difundis a fraternidade, inspirando nos que vos rodeiam desejos e sentimentos de comunhão e reconciliação, com uma mensagem tanto mais forte e clara quanto testemunhada na simplicidade e na humildade.”
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano; Agência Ecclesia


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