Nos Camarões
- o quarto dia em África
Um dos eventos de maior expectativa para a povo dos Camarões, que recebeu o Papa Leão XIV para um Encontro pela Paz em Bamenda, região anglófona que há uma década vive uma crise marcada por tensões separatistas, violência e migrações. De facto, fala-se de 500 mil os refugiados e requerentes de asilo em países vizinhos como Sudão e República Democrática do Congo. Um lugar de insistente tensão e sofrimento devido à fragmentação política e tribal que viu as facções separatistas locais anunciarem uma trégua baseada na "responsabilidade, moderação e respeito pela dignidade humana" para a realização da agenda do Papa em Bamenda.
A Catedral de São José, sede da arquidiocese local, foi o local destinado ao Encontro pela Paz que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante e também membros islâmicos, além da comunidade católica de consagrados e leigos.
O Papa voltou a repudiar quem "submete as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objectivos" para destruir.
"Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer. Quem saqueia os recursos da vossa terra, geralmente investe grande parte dos lucros em armas, numa espiral de desestabilização e morte sem fim. É um mundo ao contrário, uma subversão da criação de Deus."
"Sigamos em frente sem nos cansarmos, com coragem e, acima de tudo, juntos, sempre juntos!", encorajou o Santo Padre, "sirvamos juntos a paz!":
"O mundo é destruído por poucos dominadores e é mantido de pé por uma miríade de irmãos e irmãs solidários! São a descendência de Abraão, incontável como as estrelas do céu e os grãos de areia na praia do mar. Olhemo-nos nos olhos: somos já este povo imenso! A paz não é algo a inventar: é algo a acolher, acolhendo o próximo como nosso irmão e como nossa irmã. Ninguém escolhe os seus irmãos e irmãs: devemos apenas acolher-nos uns aos outros! Somos uma única família e habitamos a mesma casa, este maravilhoso planeta de que as culturas antigas cuidaram durante milénios."
No final do Encontro pela Paz, na frente da Catedral de São José, com uma pomba branca em mãos, assim como faziam outras sete pessoas representantes da comunidade local, o Papa Leão XIV proferiu algumas palavras improvisadas antes de soltá-la:
“Meus queridos irmãos e irmãs, hoje o Senhor escolheu todos nós para sermos os trabalhadores que trazem a paz a esta terra. Rezemos todos juntos ao Senhor. Que a paz reine verdadeiramente entre nós. Que, ao soltarmos estas pombas brancas, símbolo da paz, a paz de Deus esteja sobre todos nós, sobre esta terra, e nos mantenha todos unidos em Sua paz. Louvado seja o Senhor.”
O Papa Leão XIV presidiu à Missa pela Paz e Justiça celebrada no Aeroporto de Bamenda, Camarões.
Na homilia, o Papa Leão XIV chamou a atenção para os problemas que afectam o país, como " as numerosas formas de pobreza, que continuam a afectar inúmeras pessoas, a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza". E também para "o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no Continente Africano para o explorar e saquear".
"Irmãos e irmãs, são muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição", disse o Santo Padre.
“As numerosas formas de pobreza, que continuam a afectar inúmeras pessoas com uma crise alimentar em curso; a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza, que impede o desenvolvimento das instituições e das estruturas; os graves e consequentes problemas que atingem o sistema educativo e o sanitário, bem como a grande migração para o exterior, em particular dos jovens. E às problemáticas internas, frequentemente alimentadas pelo ódio e pela violência, junta-se ainda o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no Continente Africano para o explorar e saquear.”
O Papa Leão XIV referiu que, "quando uma situação se consolida há muito tempo, o risco é o da resignação e da impotência, porque não esperamos nenhuma novidade".
“No entanto, a Palavra do Senhor abre espaços novos e gera transformação e cura, porque é capaz de colocar o coração em movimento, de pôr em crise o curso normal das coisas a que facilmente corremos o risco de nos habituar, e de nos tornar protagonistas activos da mudança. Lembremo-nos disto: Deus é novidade, Deus cria coisas novas, Deus torna-nos pessoas corajosas que, desafiando o mal, constroem o bem.”
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano

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