O Papa Leão XIV
despede-se da Guiné Equatorial
concluindo Viagem Apostólica a África
O Papa Leão XIV celebrou a Eucaristia, esta Quinta-feira, no Estádio de Malabo, Guiné Equatorial, último compromisso do Pontífice em terras africanas.
O Estádio de Malabo foi inaugurado em 2007. É uma estrutura desportiva polivalente, utilizada como casa da selecção de futebol da Guiné Equatorial. Sediou oito jogos da Copa Africana de Nações de 2012 e dez da Copa Africana de Nações de 2015.
No palco montado para a celebração, além de um grande crucifixo, encontrava-se também uma imagem de Nossa Senhora de Bisila, uma Virgem de traços delicados com uma criança nos ombros. Antes da chegada do cristianismo, ela era considerada a mulher que, usando ervas naturais, salvou o povo da peste, incluindo muitas crianças. Em 1986, São João Paulo II proclamou-a Padroeira da Arquidiocese de Malabo.
O Papa ao iniciar a sua homilia, falou sobre o diálogo entre o eunuco etíope e Filipe que, ao ouvir o eunuco ler a passagem do Profeta Isaías sobre o servo sofredor, pergunta-lhe se compreende o que está lendo. O eunuco responde imediatamente: «Como poderei compreender, sem alguém que me oriente?»
A pergunta dele "torna-se assim não só um apelo à verdade, mas uma expressão de curiosidade". "Observemos com atenção quem está a falar: é um homem rico, tal como a sua terra, mas escravo. Todos os tesouros que administra não são seus: suas são as canseiras, que beneficiam outros. Este homem tem inteligência e cultura, e demonstra-o tanto no trabalho como na oração, mas não é plenamente livre", disse ainda o Papa, ressaltando que "este estado está dolorosamente impresso no seu corpo: trata-se, com efeito, de um eunuco. Não pode gerar vida: as suas energias estão todas ao serviço de um poder que o controla e o domina".
“Justamente enquanto está a regressar à sua terra natal, a África, que se tornou para ele um lugar de servidão, o anúncio do Evangelho liberta-o. A Palavra de Deus, que tem nas mãos, produz um fruto surpreendente na sua vida: quando encontra Filipe, testemunha de Cristo crucificado e ressuscitado, o eunuco torna-se não apenas um leitor da Bíblia, ou seja, um espectador, mas protagonista de uma narrativa que o envolve, porque diz respeito precisamente a ele. O texto sagrado fala-lhe e suscita a sua busca da verdade.”
"É assim que este africano entra na Escritura, acolhedora em relação a todos os leitores que desejam compreender a palavra de Deus. Entra na história da salvação, acolhedora em relação a todos os homens e mulheres, sobretudo em relação aos oprimidos, aos marginalizados e aos últimos", disse ainda o Papa. "Ao texto escrito corresponde agora o gesto vivido: recebendo o Baptismo, ele já não é um estranho, mas torna-se filho de Deus, nosso irmão na fé. Escravo e sem descendência, este homem renasce para uma vida nova e livre em nome do Senhor Jesus: é do seu resgate que ainda hoje falamos, precisamente ao lermos as Escrituras", sublinhou.
“Tal como ele, também nós nos tornamos cristãos através do Baptismo, herdando a mesma luz, ou seja, a mesma fé, para ler a Palavra de Deus. Para reflectir sobre as profecias, para rezar os salmos, para estudar a Lei e proclamar o Evangelho com a nossa vida. Todos os textos bíblicos, com efeito, revelam na fé o seu verdadeiro sentido, porque na fé foram escritos e transmitidos a nós: por isso, a sua leitura é um ato sempre pessoal e sempre eclesial, não um exercício solitário ou meramente técnico.”
Por fim, o Papa encorajou todos, a "Igreja que vive na Guiné Equatorial, a continuar com alegria a missão dos primeiros discípulos de Jesus. Lendo juntos o Evangelho, sede seus anunciadores entusiastas, tal como o foi o diácono Filipe. Celebrando juntos a Eucaristia, testemunhai com a vossa vida a fé que salva, para que a Palavra de Deus se torne pão bom para todos".
Homilia do Santo Padre:
Num momento carregado de emoção e fé, além da alegria dos 30 mil fiéis no Estádio de Malabo, no final da Missa desta Quinta-feira o Papa Leão XIV despediu-se do povo da Guiné Equatorial e de toda a África.
Durante 10 dias, o Santo Padre percorreu quatro países para consolidar a fé e encorajar as Igrejas locais para a reconciliação, a paz, a justiça e a fé.
O continente, com a maior quantidade de países - um total de 54 - é o que apresenta os piores indicadores sócio-económicos, a segunda maior população e a terceira maior em extensão do mundo.
“Queridos irmãos e irmãs, chegou o momento de me despedir de vocês, da Guiné Equatorial e também de África, no final da viagem apostólica que Deus me concedeu realizar nestes 10 dias.”
“Cristo, a luz da Guiné Equatorial e vocês são sal da terra e luz do mundo.”
Após uma visita de dez dias a quatro países africanos, o Papa partiu com sua comitiva do Aeroporto Internacional de Malabo ao final da manhã, num voo que o levará, em pouco mais de seis horas, até o Aeroporto Fiumiciono, em Roma.
Mantendo sempre uma perspectiva ampla sobre as regiões que sofrem com a guerra e a violência, o Santo Padre teve a oportunidade, nos últimos dias, de lançar luz sobre os muitos conflitos esquecidos da África, de alertar sobre as lógicas que os desencadeiam e alimentam e de exortar, sobretudo, as novas gerações a encontrarem toda a energia necessária para reivindicar seu futuro com senso de responsabilidade, confiança, dignidade e liberdade. O que emerge é um retrato profundamente comovente de uma África frequentemente considerada um monólito indistinto destinado exclusivamente à ajuda humanitária. Sim, o pão é necessário, mas a África é um dom em si mesma. O Papa Leão XIV viveu, contemplou e relatou isso.
Os momentos mais significativos para relembrar a terceira viagem apostólica do Papa Leão, que passou por quatro países: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
No voo de regresso a Roma, o Papa Leão XIV fala aos jornalistas sobre a sua missão de proclamar o Evangelho a todos os povos, recorda as crianças vítimas das guerras no Irão e no Líbano, condena a pena de morte e insiste no respeito pelo direito internacional.
Fontes: Santa Sé; Notícias do Vaticano



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